cabeça esportiva*
Chutando o balde
Nos últimos dias a seleção canarinho voltou a mexer com a maioria dos brasileiros em dois jogos válidos pelas eliminatórias da Copa de 2006. Prometo que não vou falar aqui dos resultados obtidos, nem de assuntos como escalação ideal. Robinho, Juninho, Ricardo Oliveira, Zagallo, Parreira, os personagens são muitos e mudam constantemente, mas uma história nunca muda: a prepotência e falta de preparo de nossa crônica “especializada”.
É triste acompanhar em jornais e televisões pessoas como Renato Maurício Prado, Alex Escobar, Sérgio Noronha, entre tantos outros, posando como se fossem os donos da verdade. Na Folha os números são verdades absolutas, e a discussão se o Brasil ganha 66,78% dos jogos com Ronaldo jogando 32 minutos na faixa esquerda do ataque é tema de página inteira.
São muitos os exemplos que podemos usar dessa pátria de chuteiras, caneleiras, meiões, shorts e camisa. O futebol mexe com muita gente e quando se trata de seleção isso toma proporções incríveis. É fato que, pela própria situação em nosso País se encontra, nossa população-torcida não conta com muitos recursos de estudo ou pesquisa. Mas futebol parece ser matéria que se aprende no ventre da mãe, durante os nove meses, já saindo formado. E então vem o Galvão Bueno e diz que jogamos bem ou jogamos mal e ai está a verdade absoluta e ponto final.
Quem são realmente os especialistas? Por que 80% da imprensa esportiva mais “grita” do que informa? Para mim, atualmente, apenas Tostão com sua coluna nos jornais, Juca Kfouri na rádio CBN e ESPN Brasil na TV nos brindam com artigos e matérias inteligentes. De resto, estamos ainda na quinta divisão, correndo risco de rebaixamento...
*por Fabio Kadow, jornalista e volante do Juventude Futebol e Cervja





